- (censurado) -

Posted by teamdustrial On June - 4 - 2008

Das muitas publicações que vão chegando aqui ao atelier passou-me pelas mãos hoje o número de Maio de “Arquitectura e Vida”, a minha atenção prendeu-se na entrevista a Teresa Franqueira conduzida pelo designer Francisco Providência.
Teresa Franqueira é “Docente em Design na Universidade de Aveiro e Investigadora no Politécnico de Milão”, a senhora na dita entrevista diz despreocupadamente coisas como:

1. “Simplicidade minimalista” o que pressupõe que existe uma simplicidade maximal, politeísta, prefusa ou coisa que o valha.

2. “O design tem que ver com a essência da vida” ou seja até aos finais do séc. XIX não havia vida no planeta, pelo menos não o tipo de vida que tem essência, ou seja toda a história anterior da humanidade é inessencial, vá-se lá perceber isto…

3. “A vida é uma sequência de experiências sempre novas; a rotina arruína o mistério da vida. As rotinas diárias são coisas seguras.” afirmação que deixaria boquiaberto qualquer sudanês residente no Darfur.

4. “O design é então a planificação da vida” então se existe um plano não se caminha para um processo e não se acaba numa rotina?

5. “O design está ao serviço da economia” não deveria estar ao serviço das pessoas assim como a economia? (coisa que tenta emendar mais tarde afirmando que o design se encontra ao serviço das necessidades mas soa tudo muito confuso).

6. “O que o design faz é pactuar com a economia” claro que em alguns de nós não desponta esta vontade de pactuar acontecendo precisamente o contrário o que à partida nos exclui de mais uma generalidade dita por tão digna representante do pensamento estratégico do design em Portugal.

7. “Parece-me mais interessante que cada um de nós possa ver espontaneamente o corpo-humano no saca-rolhas do que o saca-rolhas do Mendini com aquela menina de saias…” no mesmo registo vago ficamos sem perceber se importa a referência ou a ilusão, a pequena magia ou truque que leva o consumidor a tirar conclusões que no fundo são tão óbvias como as que o Mendini pretendia.

8. “Há pessoas que fazem o seu projecto de vida ao balcão de um banco e depois ficam agrilhoadas para o resto da sua existência” este enfatizar da linguagem irrita-me mas aqui ao menos Teresa Franqueira revela alguma coerência camoniana confirmada quando afirma também “o design comanda a vida”.

E assim com esta introspecção genial sobre os paradigmas e complexidades do design no séx. XXI ficamos a saber que “não há vida sem design” que é uma daquelas conclusões que abre o apetite para o trabalho no fim do almoço sob a pena de bater a bota.

Ainda noutra nota, a orientação pedagógica em Aveiro – design industrial = design de comunicação – parece-me ainda uma adaptação à Portugesa e à Providência de um conceito que faz certamente as delicias nos nossos frequentadores de congressos internacionais mas que pouco parece fazer pelos “analfabetos” consumidores de “design”.

“Your game only gets better when you play against a stronger opponent” e eu por cá vejo muito pouca gente de raquete na mão, será que estão à espera de uma “assinada” pela Muji?

5 Responses to “- (censurado) -”

  1. Luís Gama says:

    Auch! ;D

  2. Ricardo Guerra says:

    bravissimo!!!
    paaaahahah :D

  3. Manuela says:

    Caríssimo,

    É sempre confortável criticar conteúdos descontextualizados. À parte quaisquer pontos de acordo ou desacordo, não posso deixar de comentar o tom arrogante do seu discurso. É uma daquelas críticas “que abre o apetite para o trabalho no fim do almoço sob a pena de bater a bota.” Mas… bravíssimo! Boa jogada “paaaahahah”!

    Manuela

  4. Manuela says:

    P.S.: Sobre o penúltimo parágrafo, devo dizer que carece de actualização.

  5. teamdustrial says:

    Caríssima Manuela Anónima,

    Obrigado pela atenção dispensada à leitura da referida crónica, o que muito nos enaltece. Sinta-se em casa para comentar aquilo que quiser, incluindo a tonalidade ou quaisquer outros pressupostos harmónicos do discurso.

    Partindo da ideia da entrevistada de que ‘o design tem que ver com a essência da vida’ e embebidos no mesmo prosaísmo pós-moderno, reafirmamos de forma veemente o carácter arrogante, incendiário e notoriamente bélico da análise. Manifestamos também a disponibilidade e por extenso, como já o fizemos no passado, de enfrentarmos todas as consequências legais decorrentes da escrita e publicação de tão desleal e abjecto texto, que em muito desonra a academia e os seus mais distintos representantes.

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